domingo, 7 de agosto de 2011

Conhecimento x Sabedoria

Unidade 4
Conhecimento x Sabedoria
Por Rodrigo Alves Borges de Lima


O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; mas os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução.
Provérbios 7:1


Primeiramente devem-se diferenciar os seguintes conceitos: “Conhecimento, inteligência e sabedoria” antes de prosseguirmos com este estudo. O conhecer envolve as capacidades cognitivas da psique e não é privilégio apenas dos seres humanos, mas também presentes em qualquer animal superior, logicamente que em níveis de abstrações diferentes.
Temos por capacidades cognitivas as ferramentas pelas quais o ato cognitivo se processa, sendo este o processo de conhecer, são elas: “A atenção, a percepção, a memória, o raciocínio, o juízo, a imaginação, o pensamento e a linguagem”. É importante frisar que para os seres biológicos microscópicos tais ferramentas também existem, porém com nomes e abrangências distintas. Por exemplo, para um ser microscópico do domínio Eukaryota não podemos afirmar que tais seres possuem, memória, raciocínio, etc... como os dos animais superiores. Porém é importante notar que possuem memória biológica expressa em seu material genético, além de um comportamento lógico que busca a sobrevivência em seu ambiente, podendo tomar decisões que preservem sua homeostase.

O conhecer pode levar ao saber quando este se amalgama a todos os níveis de abstração de um animal superior, ou seja, ele é absorvido de tal forma que está presente não somente em sua psique, mas em seu todo, no holos. Por isso que as palavras, saber e sabor possuem sua relação etimológica de forma muito estreita. Sendo assim, pode-se descrever e definir em palavras todas as informações sobre a “uva”, mas a compreensão do que é esta fruta em sua totalidade não será entendida se não a ingerir e saborear sua doçura, sensibilizando não apenas a psique coletiva orgânica, mas dando oportunidade para que todos os sistemas celulares componentes de nossa bios possa experimentar e vivenciar esta deliciosa fruta.

O saber nunca poderá levar a sabedoria se não percebermos nossa própria ignorância e limitação. O salmo 82 verso 6 afirma: “Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós.” e o verso 7 completa “Todavia, como homens, haveis de morrer e, como qualquer dos príncipes, haveis de cair.”, mas o que isto quer dizer? O texto do salmista afirma que somos deuses, o que é citado por Jesus no evangelho de João capítulo 10 verso 34, mas também possuímos um corpo limitado e corruptível que pode levar ao engano e a estultícia se não tivermos a percepção de nossa condição. Por isto, devemos entender que a nossa essência é divina, mas nosso corpo é frágil e retornará ao barro que o originou. Tesouros em vasos de barro.

Reza a lenda que Sócrates foi chamado pela pítia como homem mais sábio de toda a Grécia justamente por que não concordava com esta afirmação, de que ele era o mais sábio. Para Sócrates, a sabedoria consiste no reconhecimento da própria ignorância, o que envolve o abandono de idéias preconcebidas, foi o que disse Wagner Veneziani, no livro de Willian Irwin, “Matrix: Bem-Vindo ao Deserto do Real”. Nota-se aqui uma profundidade imensa, o que resultou na frase mais celebrada e conhecida de Sócrates "Só sei que nada sei." citada por Platão em "Apologia de Sócrates", o primeiro discurso, 21d.

O reconhecimento da própria ignorância é apenas parte do caminho daquele que busca a sabedoria, porém há um mistério e tesouro mais profundo para aqueles que querem se aventurar nesta trilha e despertar. O versículo que norteou este artigo presente no livro de Provérbios 7 verso 1 pode levar a esta sabedoria, caso germine em nosso âmago. Saber quem é Deus e o motivo da sua maravilhosa criação é aquilo que deve inspirar a todos que buscam Sofia.

Quem é Deus? Quem sou eu? São perguntas que incomodam o ser humano desde a sua gênesis. Estava escrito em Delfos a seguinte frase "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses". Descartes disse, "Cogito, ergo sum" (Penso , logo existo). Neste estudo, procura-se ir além desta afirmação. Reformulando-a, faz “Sou, logo existo.” e nisso a adentro ao santíssimo lugar, onde Salomão, autor de provérbios teve suas mais elevadas epifanias, onde estava a arca, os querubins e a chama sagrada. Para compreendermos esta sabedoria devemos sair dos “Egitos” do nosso ego e caminharmos para Canaã. Pois então, ao Êxodo.

Neste segundo livro de Moisés capítulo 3 verso 13 o libertador dos hebreus pergunta a Deus quem Ele o é. Note que há outras passagens bíblicas que buscam a reflexão sobre esta questão, adjetivando o Criador, porém nesta passagem vemos que o próprio Deus faz sua introdução. Veja o que diz o verso 13 e 14 “Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.”. A língua original em que foi escrita tal sentença, o EU SOU é apenas uma única palavra, que pode ser transliterada por “Yod Heh Vah Heh” ou simplesmente usamos o tetragrama YHWH. Por isto muitos religiosos chamam Deus de Jeová, Iavé, Javé, Jah... Entre outros termos. Mas qual revelação isso nos trás. Nada melhor do que buscarmos tal resposta com João, o discípulo revelador.

Em seu evangelho João começa “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;” Que Verbo seria este que o evangelista, fala se não aquele que faz a ligação entre todas as coisas que existem. O Verbo aqui é o SER, porém como dito antes, em sua língua original possui pessoalidade o EU do EU SOU.

O que é um Verbo? Dentre outras coisas um verbo é um ente gramatical que designa ação, estado ou fenômeno da natureza. Por exemplo, quando digo “Eu como a uva” quem realiza a ação de comer é o Eu, o sujeito da oração, mas quando digo, Eu sou Rodrigo, neste caso o sujeito não realiza a ação, aqui quem faz essa “lig-ação” é o próprio Verbo Ser. Portanto, Deus é o Verbo SER. O dínamo que faz tudo que existe SER. Em outras palavras, Ele, como VERBO, nos liga a tudo que existe! POR ISSO O VERBO SER É UM VERBO DE LIGAÇÃO. Algo que a religião, por ser a tentativa do homem se ligar a Deus, nunca irá conseguir, pois é DEUS que se liga ao homem! Neste contexto, DEUS é como o olho, pois quem olha não vê o próprio olho, mas se você refletir verá, nem que seja num espelho. A imagem e semelhança! Algo que sempre esteve patente aos olhos, mas insistimos em dizer e duvidar da existência! Enfim... “Sou, logo existo.”.

A sabedoria disto reside em enxergar que tudo que existe passa pelo SER, pelo VERBO, como disse João “... sem ele nada do que foi feito se fez.” Perceba que o Verbo não é um ente gramatical morto, mas o ato puro, a ação primordial, como disse Joseph Campbell, “Isto és, tu!”. Mas qual o propósito de SER?

Para tal usar-se-á um texto escrito, há algum tempo, por este que vos fala:

“A ciência é uma ferramenta e não o fim. E às vezes a ignorância é uma benção, saber demais é pesado e triste. No futuro, mas no futuro mesmo, conheceremos como somos conhecidos. Lá muita coisa não terá importância, pois já se passaram. Veremos que o ter, a matéria é desnecessária, viveremos num mundo de conceitos. Então perceberemos que conhecer tudo e tudo poder é vaidade e aflição de espírito. Então nos lembraremos do amor e como ele nos dava felicidade e fazia valer a pena. Veremos que a limitação é necessária e torna as coisas interessantes. No fim conheceremos o AMOR em plenitude e aprenderemos que a entrega renova todas as coisas e a entrega total é perfeita. Então só restarão três coisas que são uma, a FÉ, a ESPERANÇA E O AMOR. Por que em fé esperamos no amor! Então tudo será entregue ao Dom da Vida, porque o maior destes três É!”

Conclui-se que o verbo SER dotado de pessoalidade é Deus, e o seu propósito é caminhar em amor, sempre buscando no trilhar exercer esse dom. Sim, isto sim é sabedoria. Aprendeu-se aqui que o sábio é aquele que reconhece sua limitação como ser humano e terreno, mas possui o olhar e Espírito nas coisas elevadas, que busca alcançá-las sem nunca se esquecer de apontar o caminho para aqueles que também as buscam. O sábio sabe que é humano e veio do húmus (terra fértil, barro...), mas também enxerga que o céu é da altura de sua imaginação. A imaginação pode ser mais importante que o conhecimento, mas somente a sabedoria em amor atinge o coração de Deus!

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Para realização deste artigo foram consultadas as seguintes fontes:

1 - Bíblia Sagrada
a. Textos citados;
b. Direcionamento filosófico.

2 - Wikipédia
a. Definição de conhecimento, inteligência, cognição e sabedoria;
b. Figuras e imagens apresentadas

3 - Carl Gustav Jung
a. Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo;
b. Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade;
c. A natureza da psique.

4 - Pr. Caio Fábio
a. Nephilim.

5 - Willian Irwin
a. Matrix: Bem-Vindo ao Deserto do Real;
b. Mitologia envolvendo Sócrates e o Oráculo de Delfos.

6 - William P. Young
a. A Cabana – Compreensão sobre a natureza divina.

7 - Joseph John Campbell
a. Isto És Tu – Redimensionando a metáfora religiosa;
b. O poder do mito – Vídeo documentário de 1990.

8 - Origem da Palavra - Site de Etimologia
a. Significado e relação da palavra humano e cultura;
b. Ver - http://origemdapalavra.com.br/pergunta/pergunta-4427/

9 - Seguidores do Caminho Eterno – Blog pessoal do autor sobre temas espirituais
a. Ver em: http://seguidoresdocaminhoeterno.blogspot.com/